Domingo, 5 de Julho de 2009

QUANDO A AREIA ACABA.

Às vezes a vontade apela e quer manter tudo do jeito que está. Que as pessoas e as situações fossem estáticas. Que o passado fosse como uma cidade que eu visito. Sempre ali, para quando sentisse saudades, eu pudesse visitar. O duro é que a cidade até existe mas, a situação já passou. E não volta mais. É meio perturbador não conseguir reviver certas coisas novamente. Ainda mais quando envolve tanto minha vida.
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Para um saudosista, a areia de uma ampulheta nunca será somente areia. Ela é um "mix" de passado, tempos, pessoas, varandas, miados, bicicletas cor-de-rosa, portões, violões, viagens, beijos, sonhos, amores, notinhas musicais, amigo, agulhas, carrinhos barulhentos, suquinho de caixinha dos supermercados.
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O tempo exige dos saudosista alguns "tchaus" excessivamente doloridos. E eles escrevem no presente o passado.
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Melhor seria nascer, viver e morrer sempre com as mesmas pessoas e situações. Mas também, parece-me que isso poderia enjoar. Não sei.
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Algumas pessoas olham para uma ampulheta e esperam ansiosamente a areia cair para "darem uma virada" em suas vidas. Quando eu olho para ela, fico por algum tempo parado no vazio que a areia deixou. Este vazio é como uma solidão. Não é ausência de pessoas. É a ausência daquilo não volta mais. É como tentar beber a mesma água sempre. Como querer que o rio se mexesse mas sem sair do lugar. É uma cadeia, lamentávelmente.
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Eu não tenho dúvida alguma que saudosistas são pessoas feridas de passado, e não no passado. O passado as fere. O passado bom. E, a finalização deste passado bom pode gerar dor.
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Na mente e nas emoções de um saudoso, a morte de alguém não é somente o sofrimento da perda. Mas, também é a formatação de todo um contexto que envolvia e permeava aquela pessoa.
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Um dia a areia vai acabar. Alguns dos que começaram a jornada comigo, nesta vida, já não estão mais. As mais deliciosas sensações de um grito com meu nome, de uma brincadeira na sala de fotografias, de ganhar um sabonete dos mais caros se encerrou. E é aqui que um carisma te ajuda a permanecer Naquele, no Único que não passa.
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Nisto vejo o quanto meu carisma está me salvando. Dia após dia. Não sei o que seria sem a fidelidade.
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Agora pela manhã O Senhor falou-me: "Aprenda a escutar a voz da areia caindo". Eu escutei e ela falou: "Mesmo se as pessoas morrerem e se esquecerem de você, Eu não me esqueço de ti"; "Eu iniciei esta obra excelente. Calma. Darei o acabamento"; "Visitastes alguns velórios... Chorastes demais neste mundo mas, coragem. Eu venci".
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A areia sabe se comunicar. E as músicas do passado também. "Foi assim comigo e eu chorei, porém confiei e hoje estou aqui".

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

LALINHA, A KIKÍ - 29 de maio de 2009.

Olá meus amigos da rádio Beatitudes. Companheiros do "Boa Tarde, Alegria" e também do terço das 9 da manhã.
Aqui somos uma família. O drama de cada um acaba tornando-se o drama de todos nós. Assim foi com minha Tia Elisiária, a lalinha. Quanta gente rezou por ela.

A maioria nem a conhecia. Mas, por uma ato de caridade rezaram, pediram, imploraram. E Deus escutou. Escutou, sim. A bondade de Deus permitiu-nos 46 bons anos com ela.

As 3:00 da manhã de sexta passada, a lalinha apagou sua centelha aqui na terra para brilhar na Casa do Pai.

Foi um dos piores telefonemas de nossas vidas. Quando minha mãe ligou falando-me da "partida" da Lalinha para Deus senti meu coração disparar. Nunca vi tanta lágrima na minha vida. A Carol chorou sem consolo. Todos nós choramos. Mais um membro de nossa família tão pequena, morria.

Mas, O Senhor estava conosco. Claro que estava. O tempo todo. Ele ouviu nossas preces. O melhor seria que ela estivesse com Ele. Minha irmã, a madrinha e agora a lalinha. Todos estavam em festa na Glória.

Em nossa familia a perda de alguém é muito difícil. Nossa história sempre teve mortes prematuras. Imagine o coração de meus avós (84 e 86 anos) ao saberem da notícia. Deu dó de ver o vô falando "eu quero minha menina"( a lalinha eraacaçula). Minha avó, a mãe da lalinha, fez questão de ir ao velório. Foi a primeira a chegar junto comigo. Quando o caixão foi aberto a vó disse bem alto": "Filha, eu te recebi neste mundo; eu te entregarei para o Pai".
Baseado nestas palavras da vó que eu tenho que seguir. Não devo fazer pactos com a morte. Ela nào venceu. Quem venceu foi Jesus, foi a Ressurreição.

Esta semana ainda ficarei ausente da rádio. Ainda há muito por fazer com os que ficaram. Carol e eu estamos tentando cuidar "dos vivos".

A ausência ainda é latente. A ferida ainda está exposta. Estamos passando mais um pouquinho das "Dores de Maria". Afinal, não foi isto que rezei no Cerco de Jericó do mês de Maio? É pelas dores de Maria que seremos consolados.

Eu volto na segunda feira que vem, dia 8 de junho, ao vivo. E nesta semana toda do dia 8 em diante quero rezar o terço das 9:00h partilhando algumas graças que colhemos em pleno velório e no enterro.

Em cima do corpo da Tia lalinha eu coloquei um banner com nosso carisma:"Com Deus até o fim, mesmo sem entender". Todo mundo que chegava no velório já lia esta frase. E na mão da lalinha havia um terço e um carrinho do João Pedro.

Agradeço a todos os que rezaram pela lalinha. Agradeço mesmo. Cada mensagem que me mandaram tocou profundamente nosso coração. Vou repassar para minha família toda.Agradeço aos que, mesmo sem conhecer a lalinha, choraram.

Eu tinha que fazer esta partilha com minha família espiritual, com meus amigos da rádio. Nós não brincamos quando afirmamos que os "ouvintes" da rádio são nosso maior patrimônio.

Abaixo (ou ao lado para quem está lendo no blog) deixo uma foto da lalinha. Esta foto foi tirada no primeiro dia de aula do meu filho, o joão Pedro.
Você não tem idéia do que a Lalinha era para meu filhote. Carol e eu nunca saberemos como agradecer a Tia lá.

Obrigado mais uma vez. Semana que vem estou de volta.
Daqui para frente terei que cantar minha música "ME ESPERA" com mais força e bem mais alto, porém, na mesma tonalidade da certeza da ressurreição.

Maria Elisiária Santoro, a lalinha, morreu dia 29 de maio de 2009, às 2:38 da madrugada. Sozinha. Na UTI do hospital São Paulo, em Araraquara. Disseram que fora choque acéptico. Eu fui o último que vi a lalinha entubada. O médico simplesmente olhou-me e não disse nada. Todo assombro e toda dúvida se foi ou não inexperiência médica, nossa família colocou no altar do Senhor. Deus cuida de tudo e nada foge de Seu olhar.

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

PENSOU NISSO MESMO?

A história dos encontros vocacionais da Beatitudes é bem interessante. Nosso primeiro "encontro vocacional" na realidade nem era um vocacional; era um encontro mas não vocacional. Não entendíamos nada. Era 1999 e foi na casa fundacional. Estávamos em 10 pessoas, dentre elas a Carol e a comunidade ainda se chamava "Missão obra nova Brasil".


Assim que a Carol veio para cá, fizemos outro encontro vocacional. Estávamo eu, Carol, Nady e Aninha e nem sabíamos o que estávamos fazendo. Ninguém ficou.

Já no segundo encontro, a comunidade já chamava Beatitudes, estávamos em pouco mais de 5 pessoas. Também foi na casa fundacional, onde a Beatitudes nasceu. Não tínhamos ainda noção da grandeza de se encontrar uma vocação. Porém, Deus foi bom e fiel e, deste encontro surgiram Elisete e Marquinho que até hoje, 2009, fielmente estão comigo. Era 2001.

Outro encontro vocacional foi feito. Muitos jovens participaram. Foi em uma chácara. Foi o vocacional das "minha ovelhas". A gente ficou encantado com o grande número de participoantes. Mas ainda não tínhamos base para entender uma vocação.

Em 2007, convidei a Renata para me conhecer aqui na Beatitudes. Foi na época do carnaval. Ousadamente fiz um encontro vocacional só para ela. Investi na sua formação e, graças a Deus, até hoje ela está conosco.

No último vocacional, apenas uma pessoa estava interessada em conhecer a Beatitudes. Foi uma frustração só. Perdemos um pouco o rumo vocacional. Nos questionamos muito. Eu me questionei demais. Mas precisamos entender o que Deus quer e como Ele quer. E descobri algumas coisas bonitas sobre vocação. Entendi que a vocação só atinge alguém quando ela toma forma na vida de quem já está nela.

Mais tarde vieram outras pessoas. Algumas com a vocação Beatitudes e outras forçando a barra. Entendi a necessidade de se fazer uma caminhada de discernimento e amadurecimento para assumir uma vocação.

Entendi também que vocação é viver o sobrenatural e o eterno dentro do natural e do limitado. Viver a vontade de Deus na frágil condição humana. E que, vocação começa racionalmente pela plantação e não pela colheita. E confirmei que não sou eu quem corro atrás de minha vocação: é ela quem me encontra. Principalmente pela internet.

Vocação não é sentimentalismo. Não é improviso. Não é "prajasismo" (tudo pra já). Vocação exige sentimentos que sejam provados pelo fogo. Exige entrega à Povidência Divina e respeitar o processo pessoal de extração de si que leva anos e anos. Dói, sangra, descaracteriza. Mas liberta e alegra. Quem se acha preparado para assumir uma vocação ainda não entendeu a vocação. Eu achei isso quando saí de casa para assumir meu chamado de fundador.

Descobri a necessidade de uma autoridade de formação. Sem a formação a vocação é deficiente, é torta, é vazia, é deformada, é medonha.

2009 é ano de mais um vocacional Beatitudes. Convidamos todas as pessoas que sentem uma necessidade de descobrir-se à luz de um carisma, o da Beatitudes. Serão três esferas:

1. Comunidade de vida;
2. Comunidade de Aliança (para quem reside em Araraquara);
3. Comunidade de Aliança Externa (para pessoas que moram em outras cidades, longe da Beatitudes, mas querem viver a espiritualidade da comunidade).

Gostaria de convidar você a fazer uma experiência vocacional conosco. É muito diferente. Vamos descobrir se você é Beatitudes. Venha fazer parte da nossa família. Seja bem vindo (a) desde já a todos aqueles que estão com seus corações palpitando nesse momento. Estamos aguardando sua presença. Será uma graça conhecer o dom que você é. Deixe neste tópico seu email se você se interessar por esta caminhada.

Quando a gente descobre nossa vocação descobre tudo. Entende tudo. Mesmo sem entender.

Segunda-feira, 23 de Março de 2009

SURGIRAM NOVOS PERSEGUIDORES COM A MESMA FERIDA DE MORTE.

Meu Deus, quem chegará até o fim? quem se conservará incorruptível em sua fé? São juízes, médicos, promotores públicos, gente de bem, estudados, todos criticando a Igreja. Até ex-padres e pseudo-freis defendendo a morte desde o útero materno. Se Deus não abreviar os dias acho que nem eu escaparei desse esfriamento da fé que se levantou com força neste 2009.

Nunca vi um homem, depois de Jesus, ser tão atacado como Bento XVI. Tudo porque ele resolveu dar um valor a vida.

Que ferida de morte é essa que não cicatriza?

Os canais de notícias espalhados pelo mundo ser humano, na ânsia de mostrar seu ódio para com a Igreja, patrocinam a distribuição de preservativos. Como se isso atacasse diretamente o Papa e os católicos. Este machucado passa longe do Vaticano. Atinge diretamente a humanidade já tão caída.

Se a Igreja não pensa nas meninas estupradas por seus padrastos, como levianamente disseram nos programas televisivos, muito menos os protagonistas do aborto pensam. Seus olhos estão voltados para uma cultura onde "eliminar", "arrancar"e "matar" fazem parte do cotidiano. Para eles, arrancar uma criança do útero é como tirar uma pessoa do reality-show. Basta votar. E diga-se de passagem que a pessoa em quem eu votei, também vota hoje pelo aborto.

Traficantes merecem misericórdia. Políticos corruptos, vestidos de servidores do povo erecem tratamento dentário nas instituições. Os ladrões merecem outras chances porque já foram crianças. Mas vamos queimar os católicos. Eles são o atraso da humanidade.

Nenhuma outra Igreja é tão atacada como a Igreja católica. Estão querendo "descascar"a Igreja e jogá-la fora. E eu terei que ir junto. Eu e você que se diz realmente católico. Talvez ainda não tenhamos percebido onde esse espírito do mundo quer chegar, mas sua meta é nos derrubar. Por isso eu fico apreensivo e me questiono: quem chegará ao fim?

Quem não desistirá no meio do caminho? Quem não se apiedará do ímpio e se associará a ele? Quem defenderá a Igreja? Quem continuará a comungar depois destas e das próximas perseguições? Eu tenho medo de falar que ficarei com Deus até o fim. Medo porque sem a Graça da fidelidade eu também desistirei. Sem o poder da Misericórdia eu vou brecar. Não dá.

Estamos nos enfraquecendo dia após dia. Em breve não teremos mais argumentos plausíveis para contrariar as afirmações sobre aborto, preservativo, contraceptivo, sexo antes do casamento...

Os novos perseguidores estão aí. Estão ávidos por carne e sangue de católicos. E o pior é que somos presas fáceis.

Olhando um pouco a história vemos que até o fim só três chegaram: Maria, João e Maria Madalena. Nem os que se sentaram à mesa com o Mestre tiveram a coragem de encarar a "barra pesada" que será "ir até o fim".

A cada entrevista que eu assisto na TV, mais vejo o carisma da Fidelidade fazendo-se necessário ao mundo de hoje. De fato, somos uma pequena parcela. Um "restinho de Israel". Mas estamos aí. E devemos estar. Em casa, se formos os únicos fiéis, que assim seja. Se no trabalho formos fiéis, que seja assim. O importante hoje não é ser o melhor e sim, ser fiel. E ser fiel não é privilégio de santos. É exercício de pecadores.

Quando me perguntam quantas pessoas existem na Beatitudes, eu respondo assim: Vá numa praia, num dia de muito vento. Com sua mão, pegue o maior punhado de areia e levante acima de sua cabeça. Abra a mão e deixe o vento levar o que ele quiser. Aquilo que sobrar é Beatitudes. Fiéis serão sobras. Contudo, tomarão o vinho do final da festa da Caná eterna.

Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

JÁ TENHO SAUDADES DISTO AQUI.

É, meu filho. Ainda podemos andar juntos por um bom tempo. Eu ainda sou "dono de seu destino". Mas, chegará o dia que você terá que procurar o seu caminho, olhar para sua própria paisagem, buscar o seu infinito. E vai constatar que o papai não mais consegue segurar a sua mão.

Quando isto acontecer, não esquece do melhor que eu pude te dar: sua Fé, uma boa música tocada em um violão e um copo de suco de laranja. Não perca tempo olhando para trás. Lance seus olhos para o horizonte da natureza. Ali O Pai do céu estará para segurar a mão que o pai da terra não conseguirá mais apertar na hora que quer.

Acho que sentirei muita, muita saudade desta foto.

Sábado, 27 de Dezembro de 2008

OLHA PARA TRÁS E ESCUTA.

OLHAR PARA TRÁS É CONTEMPLAR AQUILO QUE DEUS FEZ EM SUA VIDA. SE VOCÊ SOUBER OLHAR, BEM ENTENDIDO.


Madrugada de sábado, 01:31. Sábado é um dia muito bom. Eu tenho boas recordações deste dia da semana. Nos retiros do Alicerce, hoje teria Baile no Espírito.


Dei uma entrada rapidinha no MSN, afinal é fim de ano e eu quero descansar.

Encontrei-me com o Tel. Um mais-que-amigo. Um filho e alguém que tocou violão comigo. E conversar com o Tel é como viajar um pouco no tempo, lá nos tempos da juventude missionária.

O mais correto é guardar tudo aquilo que vivemos com Deus e com as pessoas. É certo que tem situações que eu não gosto nem de me lembrar. Mas, quando estamos no Senhor, existe uma visão espiritual sobre todos os acontecimentos.

Qando esta visão não aparece em nossa vida é porque precisamos de um tratamento profundo em nosso interior e nas questões de amor e de afetividade.

Hoje, pela minha conversa com o Tel eu escutei O Senhor dizendo-me: "Filho, são poucos mas são selecionados". Não fique curiso(a), não. O Senhor sabe o que eu estava pensando na tarde anterior.

Lembrando de alguma coisa do passado, olhando com olhos de amor para minha história, eu escutei O Senhor falar.


Bem, Tel, se vão ou não se lembrar, isto não é conosco. Mas a gente bem sabe o que fez. E estas coisas ninguém rouba de nós.

Valeu, meu irmão.
Traga a pasta de música, sim.

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Um bom Puf, um copo de suco e meu Rosário.

Fim de ano. Mais um ano correu. E correu bem mais rápido que seus antecessores. Isto deve ser um fenômeno natural destes tempos. Os dias estão passando mais depressa, os meses estão incansáveis mas, o ser humano está deixando menos história para contar.

De alguns anos para cá, quando chego neste período entre final de novembro e meados de dezembro, só uma coisa acaba tomando mais espaço em minha mente: consegui chegar ao fim de mais um ano. Eu tenho esta sensação de vitória. Chegar ao final do ano é como a uma guerra que eu ganhei. mais uma batalha vencida.

Eu cheguei ao final do ano e ainda mantenho minha vocação e meu cristianismo. Enquanto vejo tantos amigos, ouvintes da rádio, pessoas que tinham a mesma vocação que eu esistirem de tudo por nada, ou só pelos sonhos, sinto-me um vencedor por chegar até o fim. É uma boa sensação, confesso.

Este ano não foi tão fácil. Aliás, parece-me que cada ano que passa o cristianismo torna-se mais dificil de ser vivido, de ser encarnado. As escolhas estão se afunilando. Daqui a pouco os que são de Deus e os que são de Deus mas não querem assumir isso em suas peles, terão que se manifestar. Já está acontecendo.

2008 foi um ano de boas conquistas. A Rádio Beatitudes teve um bom crescimento. Muita gente conhece a Rádio. Pessoa se apaixonaram de tal forma que até contribuição financeira dão para este meio de comunicação.

Também foi um ano de muita lapidação de minha vocação. Quando penso que estou engrenando a marcha certa, o Senhor se encarrega de mudar o caminho. Acredito que deva ser para meu aprendizado sobre a providência divina.

Errei demais neste ano. Fiz julgamentos temerários. Não consegui manter certas promessas que fiz. Provei do gosto amargo de ser infiel nas pequenas coisas. E tudo isso o período do final de ano me mostra com muita clareza.

Também este ano foi o ano em que me ameaçaram e senti pela primeira vez o medo de ser atacado ou de atacarem minha família. Provei de novo o sabor da decepção e da incompreensão. Foram dias ruins e medonhos.

Devo ter perdido algumas boas vocações. Não porque eu quis mas porque também foram atacadas pelo mesmo lobo que quis devorar-me.

Passei por um período de desconfiar das pessoas e do que elas seriam capazes de fazer comigo quando magoadas e desafiadas pela minha vocação.

Mas foi também o "ano do cajado". Mesmo não entendendo e nem vendo com clareza os caminhos que O Senhor me ofereceu, eu tenho a certeza de que Deus me quer assim.

Com muito prazer eu dou "tchau" para 2008. Alias, já vai tarde. O que de melhor 2008 me mostrou é que só com Deus a vitória é garantida. O resto são quimeras.

Estou esperando 2009 sem ansiedade. Porém, espero-o com muita alegria. Muito tenho a fazer e a construir. Nesta obra - nos disse um dia O Senhor - eu não fico parado, sonhando, eu devo alçar vôos. Contudo, não para onde eu quero ir, e sim aonde eu devo chegar. E isto só O Senhor sabe. E oputra recomendação do Senhor para nós da Beatitudes foi a de "não saltem do avião antes dele pousar".

Se em 2008 eu aprendi que devo confiar sem entender, 2009 é um ano de provar para Deus o que estudei.

Sinto-me um pouco mais maduro neste final de 2008. Os cortes e os machucados aprimoram meu chamado. O Cansaço e a sinusite refina a fidelidade. As decepções amadurecem as relações.

Acho que só quero um presentinho de Natal, "prescindir do meu passado e atirar-me ao que resta pela frente, perseguindo o alvo, rumo ao prêmio celeste". O mais me será acrescentado.

Mas agora, vou descansar uns dias. Vou procurar um bom lugar, sem telefone. Que tenha um bom espremedor de laranjas. Levo a Rádio no Notebook, Umas sete-belo no bolso para o João Pedro, um pacote de biscoito passatempo para a Carol e o meu rosário. Descansar sim. Esquecer minha fé e meu chamado, nunca.

E viva O Filho de Maria e de José. Salve, seja bem vindo 2009.

"Mãos à Obra".